Mulheres que correm com os lobos: um livro pra mergulhar
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“Mulheres que correm com os lobos” foi escrito no início dos anos 90 e é um best-seller, desde então. Seja recomendado por terapeutas e amigas, descoberto por acaso em uma banca de livraria, ou mesmo num artigo pela web (!), esse livro sempre chega na hora certa ou se chega um pouco antes, vai ser aberto, lido e sentido quando você estiver naquele instante de abertura para mergulhar. Clarissa Pinkola Estés é a sábia que nos conduz nessas mais de 500 páginas, com 19 contos e lendas de diversas culturas, revelando aspectos da experiência feminina. O fato da autora ser uma analista junguiana, faz desse livro um percurso de autoconhecimento e mergulho profundo em nossos processos da psique. Sua visão sobre o patriarcado amplia a discussão e o faz ser ainda mais atual. Porém, antes de tudo, Clarissa é uma contadora de histórias, o que imprime uma camada de magia e poesia, tornando esse livro absolutamente único.

Cada conto traz elementos da alma feminina para a gente reintegrar, reconhecendo os percalços e as descobertas nesse caminho de busca por nós mesmas. Os temas são também diversos. Em “Mulheres que correm com os lobos”, se fala de um tudo. Desde se sentir desajustada e partir em busca da nossa turma. Passando por reconhecer e lidar com os predadores dos nossos sonhos e projetos. Observar os desafios do amor, estando inteira e se deixando aberta para a transformação que pode acontecer no encontro. Respeitar e compreender o processo dos ciclos, que Clarissa nomeia de vida-morte-vida. Acessar o poder da nossa vida criativa, e visualizar como recuperá-la e alimentá-la em profundidade. Cada uma das histórias trabalha o arquétipo da Mulher Selvagem, que seria a nossa versão instintiva e não-domesticada, a nossa sensibilidade desperta, a força viva que estamos destinadas a ser.

Se ainda não ficou evidente, faço uma pausa para dizer que a minha relação com esse livro é muito especial. Ele é o meu livro de cabeceira há mais de 15 anos. Tem manchas de chá e vinho, folhas que se soltam aqui e ali, anotações e marcações por todos os lados. Estando há tanto tempo comigo, ele acabou se tornando uma mistura de talismã e testemunha, um tempo-espaço que abro quando preciso me devolver para mim mesma. Sabe como? Esse livro marcado pelo tempo traz um perfume conhecido. Aliás, ele é perfumado mesmo: sempre uso como marcador de página, caixas de incenso recortadas depois de vazias. Já experimentou fazer isso? Como esse livro já foi lido e relido por mim incontáveis vezes, e diversos marcadores perfumados dormiram em suas páginas aqui e ali, ele ganhou um aroma que é só dele.

Seja qual for a sua idade, seu lugar no mundo, sua situação na vida agora, se você tem anseio pelo que é selvagem, se tem sentido saudade de si mesma, se às vezes se pega perguntando por onde andam seus sonhos, se tem se visto desconectada da sua criatividade profunda, se tem vontade de uivar para lua, se sente fome de alma, “Mulheres que correm com os lobos” tem algo a dizer e você vai encontrar algo de especial nessas páginas.

Se você chegou até aqui, as páginas já estão lhe chamando. Aliás, Você está se chamando, a Mulher Selvagem lhe espera aí dentro. As páginas podem ser só um pretexto pra voltar para casa. Aceita o chamado?

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