Numa dança com o tempo
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“E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Pra tentar reviver”

Um bolero que dói mostra a dança de uma mulher com o tempo. Talvez a gente enxergue automaticamente uma mulher, porque essa música rasgou nosso peito na voz potente de Nana Caymmi. A cena começa: “batidas na porta da frente – é o tempo”. Ele entra com ar de superioridade, depois se encaram como parceiros nessa jornada louca. O tempo existe na vida que é vivida. A vida é vivida no tempo. A partir dessa dança em par, a mulher passa a rever e recontar sua história. Ela percebe novos ângulos, reconhece que ela ultrapassa os limites do tempo e da dor, e ama de novo, e cai de novo, e renasce de novo onde parecia não ser mais possível.

O que você diria numa dança com o tempo?

Fiz essa foto tirando o tempo pra pra dançar, agorinha mesmo, na sala de casa.

Aldir Blanc partiu hoje. Não sabia que a canção era dele, descobri ao ouvir uma versão tão linda quanto à de Nana, com voz e violão de Alexandre Nero – esse homem, ah, esse homem. Assista ao vídeo pra se arriscar a chorar e sorrir fundo.

E a pergunta continua: o que você diria numa dança com o tempo?

 

foto: arquivo pessoal – proibida reprodução

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